Mudanças: a vida de quem escolheu passar ao invés de ficar.

Nesses meus 26 anos eu me mudei apenas 3 vezes. A primeira foi em 1998, quando eu tinha 7 anos e andei de avião sozinha pela primeira vez. Minha mãe foi transferida para São Paulo e, tirando a curiosidade de provar Mc Donalds  (sim, esse era o ápice do que eu entendia por São Paulo), eu sofri por ter que deixar todos os meus amiguinhos, minha escola e minha família para trás.

Após 5 anos na terra da garoa, meus pais decidiram que era hora de voltar para São Luís. Eu, que já estava totalmente habituada a minha vida em Santo André, com amigos e namorado, sofri de novo. Minha mãe se mudou com meu irmão mais novo na metade de 2013 e eu fiquei com o meu pai pois não podíamos mudar naquele momento. Quando eu fui passar as férias no Maranhão, decidi que iria ficar ( uma pessoa completamente bipolar) e dei um susto em todos, nos amigos, no namorado, nos meus pais.

O ano de 2004 foi incrível. Ter 14/15 anos em São Luís era completamente diferente de Santo André, como a cidade era menos violenta a gente tinha mais liberdade, ia pra shows, baladas, chegava em casa de manhã, tinha praia todo domingo, sentávamos na rua para conversar com os vizinhos, enfim, lá estava eu, habituada completamente de novo. No final do ano, a notícia: teríamos que voltar para São Paulo. Já estava acostumada com o ir e vir e sofri menos por deixar aquela realidade e partir para outra. Por mais que eu gostasse muito de onde estava vivendo, ainda tinha muitas saudades dos amigos que deixei.

A situação também era outra, minha família graças a Deus já havia conquistado um poder aquisitivo melhor e as passagens aéreas estavam cada vez mais baratas, o que significava que as férias em terras maranhenses estavam garantidas.

Em 2005 voltei para Santo André e, meus amigos me esperavam com uma festa em casa, foi incrível ser recebida daquele jeito. De lá para cá, sempre que posso vou a São Luís e amigos de lá vem me visitar, é sempre uma alegria incrível. Além disto, as redes sociais encurtam as distâncias e posso participar de muitos momentos especiais na vida de todos.

Passados dez anos da última mudança, meu marido foi transferido para Blumenau – SC e nós, sem pensar duas vezes, fizemos nossas malas e partimos. A quantidade de vezes que tive que explicar o por que estávamos saindo de São Paulo, que na cabeça dos paulistas é o centro do mundo e nos mudando para um lugar que fica a 50 minutos de avião ou algumas horas de carro, não tá no gibi. Além das inúmeras vezes que tive que ouvir o famoso “vocês são loucos” por sair de uma cidade louca, engarrafada, caótica e violenta ou “vocês são loucos” por deixarem os amigos que nem visitam a gente por que estão todos muito ocupados cuidando de suas próprias vidas ou qualquer outra variação dessas coisas, de tanto ouvir esse tipo de coisa, tinha certeza que estávamos fazendo a coisa certa.

Todo mundo se assustava com a mudança, mas não levava em consideração todas as coisas boas que se mudar proporciona para gente. Não apenas mudar de cidade ou de estado, mas mudar de escola, de bairro ou apenas de ideia. A gente cresce, amadurece, amplia os horizontes.

Lá se foram pouco mais de 2 meses da mudança. Blumenau é incrível e há muitas diferenças, até por que se eu quisesse a mesma coisa não teria me mudado, não é!? A gente curte o fato dela ser grande, mas ter traços de cidade pequena. O fato de deixarmos a porta destrancada sem medo, de todos serem extremamente gentis e educados conosco e sempre se preocuparem se estamos gostando ou não da cidade deles.

Gostamos também do fato de morarmos num bom bairro e com um aluguel muuuuuuito menor do que eu pagaria em São Paulo, além é claro de toda a diminuição no custo de vida. É claro que a gente não pode negar que gostou muito de morar em Blumenau durante a oktoberfest e não ter problema com hotel, rsrs.

Os amigos que se importam, eventualmente irão vir nos visitar, como alguns já o fizeram. Aqueles que não se esforçavam nem quando estávamos por perto, apesar de bem vindos, não são aguardados e a gente é claro, nem sente mais falta. A família é claro, fica muito melhor quando está distante, vamos nos ver de tempos em tempos e sentir saudade durante o resto do ano.

Mudar é assim mesmo, na maioria das pessoas causa um medo que paralisa e faz perder diversas oportunidades. Eu agradeço por não fazer parte desse time e confesso, que gente muito engessada é o pior tipo para mim, mas é assim mesmo, até nisso a gente precisa aprender a respeitar e conviver.

Eu gosto de passar, ao invés de ficar. Eu gosto do novo, de experimentar, de mudar, de me reinventar. De conhecer diversas realidades e não ficar com um verdade absoluta imutável por pura falta de conhecimento. Gosto de me colocar no lugar do outro e estar no lugar do outro para experimentar todo tipo de verdade e só assim, formar uma opinião sobre algo.

Depois de um jejum de 10 anos, espero que essa seja a primeira mudança de muitas que ainda estão por vir.

Beijos

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