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2016 e o que eles nos reserva!

Eu tenho ficado agoniada com o mundo. Acho que eu estou longe de ser a única. Estava sentada outro dia e pensando na minha vida há uns 10,15 anos. Lá atrás eu ficava pensando em como eu seria agora, de como o mundo seria agora.

A gente talvez imaginasse mais tecnologia, mais correria, mais globalização ( globalização era a palavra da moda em 2000 rsrs), mas não imaginaria tudo o que está acontecendo.

A tecnologia existe sim, nos nossos gadgets. Aquelas tipo os jetsons, acho que está bem longe de acontecer. Mas, o que mais tem me impressionado é em como o mundo tem se tornado um lugar pior. Nesse final de semana, eu li a notícia do garotinho indígena de apenas dois anos que foi morto degolado, sem nenhuma explicação em Santa Catarina ( se bem que, não há explicação para isso, de todo modo).

Eu li aquela notícia e congelei. Quanta maldade, quanto sangue frio do ser humano. Tenho visto inúmeros textos a respeito disso e sendo bem sincera, estou ignorando, por que nao aguento mais tanta violência e injustiça. Estou sem estômago, estou sem coragem, estou sem capacidade para encarar esses fatos tão perversos.

A notícia do garotinho indígena é uma entre milhões, vai se perder na nossa rotina, se é que já não se perdeu. Outras notícias como preconceito racial, machismo, homofobia, também não param de pipocar. Ontem, havia pessoas na minha timeline pedindo para que a gente denunciasse uma página que incita o estupro corretivo. Oi? Meu Deus? Quem faz isso? A gente pensa que para ser estuprador tem que ser psicopata ou qualquer coisa do tipo, mas quando para pra analisar, vê que tem um monte de amigo seu com potencial.

E nós que somos mulheres, desviamos do machismo dia após dia. Seja o machismo mais escancarado, seja o pior de todos: aquele velado, disfarçado de brincadeirinha.

Quando eu era criança, por um momento acreditei que não existia mais isso. Até claro, ter um irmão homem e notar as diferenças na criação. Lá atrás, podiam dizer que era ciúme de irmão, mas não, é machismo mesmo. Aquelas frases de “porque ele pode e eu não?” era uma tentativa de entender o que diferenciava os nossos direitos e deveres dentro de casa.

Ainda essa semana, li uma outra reportagem a respeito de um projeto social para doações de livros em Balneário Camboriú que virou lixeira. Sabe aquela notícia que a gente fica até sem reação? É tanto desrespeito, é tanta falta de educação, que a gente fica sem saber o que falar.

Há 10, 15 anos eu jamais imaginaria tudo isso. Eu achava que como tudo nessa vida, íamos evoluir. No ano de 2000 já era ruim. Já tinha violência, ja havia mortes , já havia corrupção. Sempre se falou muito nisso e portanto, eu imaginava que fôssemos melhorar, nos esforçar, procurar mudanças, mas não, ficou tudo pior. Somos prisioneiros de nossas casas ( e olhe lá) cada vez mais muradas, somos cada vez mais preconceituosos, estamos cada vez mais entulhando o mundo de lixo, somos cada dia que passa mais egoístas, mais alienados, mais burros.

Eu sou otimista ( até além da conta), mas confesso que ultimamente passei a ver o copo meio vazio, ao invés de meio cheio. O que eu observo, com quem eu converso, não me dão esperanças de um futuro melhor. Não me dão esperanças de um ano melhor. Estamos sempre na corda bamba, sempre nadando contra a corrente, sempre nos contentando com migalhas que esse sistema de bosta nos dá.

 

É isso. Foi um desabafo que eu estava precisando.

 

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