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O relato de um cara de T.I casado com uma mulher de humanas. Ou seja, como que um cara certinho faz para conviver com uma bicho-grilo

Eu estou sempre por aqui, ou no facebook, ou no instagram contando as minhas peripécias desde quando resolvi mudar de vida.  O que falo poucas vezes, é como o outro morador da minha residência e outra parte do relacionamento, reage a maior parte das minhas ideias mirabolantes.

Para dar uma situada, eu e o Bruno somos quase como óleo e água. Um gosta de doce e outro de salgado ( há uma grande controvérsia nisso, as beleza). Um gosta de coisas coloridas e outro de cores sóbrias. Um quer ir passar as férias num resort na Bahia, cheio de mordomias, pernas pro ar e o outro gosta mesmo é de passar uns perrengues doidos na estrada e arrastar sua mala de rodinha mundão afora. Um gosta de polêmica e outro gosta de se abster de tudo aquilo que possa cansar sua cútis. Sabe-se lá como, o Cosmo se alinhou e nos tornou um casal há 8 anos.

Por isso, a gente resolveu fazer esse texto. As reações sinceras do Bruno são mais do que divertidas e me ajudam a lidar com a maioria das perguntas, críticas, sustos, choques, interesses, e até mesmo com as minhas próprias descobertas.

Sem mais delongas, deixa que ele continua daqui pra frente. Divirtam-se

Oi pessoal, meu nome é Bruno (prazer!). Sou uma pessoa bem discreta no jeito de se vestir, portar, de falar e também sou bem conservador quanto a voltar a usar coisas que a natureza dá no dia-a-dia no lugar de coisas práticas que a ciência e o mundo moderno nos proporcionaram. Como um cara de TI, aprovo quase tudo o que a ciência desenvolve para ajudar o nosso cotidiano, porém minha amada Dani me mostrou que nem tudo são flores nesta vida.

Em Abril deste ano passamos alguns dias de nossas férias no RJ (pouco tempo antes da Dani mergulhar de cabeça no projeto do óleo de coco babaçu) e tivemos a oportunidade de conhecer o Museu do Amanhã. Lugar bacana, bem equipado e tal (não gosto de museus), com exposições mostrando a composição da Terra, aquecimento global e avanços da ciência no geral. Um assunto em específico chamou bastante a minha atenção, mas não pelo lado positivo: descobertas recentes podem fazer com que o ser humano possa viver ainda mais, podendo passar facilmente do centenário. Uma excelente notícia para a sociedade, não?! Ainda não me aposentei, mas na hora comecei a imaginar o que eu faria com alguns bons anos a mais de vida. Viagens, empreendimentos, morar em um local diferente, de frente pra praia… Pois tudo isto meio que veio por água abaixo quando o Dr.Cientista terminou de apresentar o propósito desta descoberta – nos fazer trabalhar cada vez por mais tempo e aposentar mais tarde. Se hoje é possível pedir a aposentadoria com 60 anos, com este avanço este limite seria cada vez mais postergado. 70, 80, 90 anos de idade e ainda trabalhando para alimentar o sistema e todos os seus sanguessugas? Não vai estar dando, senhor… como se já não bastasse olhar pro papel cebola (holerite) todo final de mês com todos aqueles descontos e ter de enfrentar notícias diárias de corrupção em todos os governos que se possa imaginar do nosso país, ver seu dinheiro sendo gasto descaradamente e saber que quase nada disso é revertido para a população como deveria.

Pois bem, não sei como vim parar neste tema… na verdade queria usar um pouco este espaço para contar um pouco das minhas experiências com estas coisas fantásticas que a natureza nos dá…
A primeira etapa de deixar o nosso estilo de vida no geral mais saudável foi introduzindo o óleo de coco babaçu logo após o nosso retorno de Codó-MA com alguns litros na Mala. Todos os dias a Dani pesquisava várias coisas sobre ele e sempre tinha alguma descoberta bombástica. Meu primeiro contato foi com um sabonete vegano feito pela dani, que ficou simplesmente espetacular. Depois de ter experimentado decidi deixar um pouco o preconceito de lado e experimentar mais algumas dessas coisas sem compostos químicos e industrializados. A próxima etapa foi começar a usar o babaçu na culinária, até aqui tranquilo também, o que me deixou mais espantado foi o que estava por vir.

Partindo para o próximo nível de dificuldade, encontramos o seguinte desafio: substituir o fantástico Mr.Músculo (indicação da minha sogra que preza pela facilidade nas tarefas do lar) por uma mistura de vinagre com bicarbonato de sódio. Não preciso nem dizer que achei esta combinação bizarra né? Dito e feito, tentamos limpar a casa com isto e tudo ficou cheirando a salada… ¬¬
Para amenizar um pouco o trauma, a dani começou a juntar cascas de mexirica em um pote de vidro mergulhada no vinagre com bicarbonato – “vai ficar com um cheirinho bom”, ela disse… devo admitir, ficou melhor, mas ainda assim não tão prático quanto o Mr.Músculo.

Há cerca de dois dias o nosso shampoo começou a acabar e a dani logo sinalizou que passaríamos para o 3º nível do nosso desafio natureba – substituir o shampoo de mercado por bicarbonado de sódio e vinagre novamente. Meu primeiro pensamento foi “vou ficar com a cabeça cheirando a salada” e até tentei dar um chega pra lá na reaça, mas fui voto vencido. Devo dizer que esta substituição é bem difícil porque o composto não faz espuma, é completamente líquido e difícil de manusear no banho – sem contar no cheiro de salada. Como ainda estou me recuperando de um resfriado, não estou sentindo cheiros direito e ainda não sei dizer se estou com cheiro de salada ou se a composição realmente funciona – disse a dani que estou com cheiro normal, então fico um pouco mais tranquilo…

Acho que até agora está tudo indo tranquilo, só fico preocupado quando chegarmos na etapa de substituir o papel higiênico…

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Sobre uma manhã (não tão) normal

Hoje parecia uma manhã como todas as outras. Acordamos, praticamos o silêncio, conversamos um pouco, tomamos nosso café a prova de balas (novo vício).  Aqui em Blumenau o dia está lindo apesar da baixa temperatura. O Bruno pediu que eu o levasse ao trabalho. Relutei. Tava quentinha enrolada nas cobertas jogada no sofá, enquanto ele me servia.  Resolvi fazer a bondade e aproveitar o Sol.  Coloquei um moletom, uma calça jeans e saímos. Fui conhecer um café novo em Blu City que eu sigo no instagram. Pedi um pão de queijo para não ficar sem consumir nada. Sentei para ler um livro. Meu celular apitou. Mensagem de uma amiga me informando que havia mais interessados no óleo de coco babaçu. Sorri. Falei para o Bruno. Voltei para o livro. Não consegui. Suspirei. Pronto, já estava perdida. Tenho dificuldade para me concentrar. Comecei a pensar na vida. Sorri de novo. Como ela é boa. Parei para pensar se era presunçoso demais escrever sobre isso. Deixei para lá. Mudei de ideia. Abri o bloco de notas do celular para colocar os sentimentos na tela. Escrevo porque eu gosto. Escrevo porque me faz bem. Hoje em dia, falam tanto que a gente não pode ser feliz. E se formos não pode publicar. Se publicar é porque é mentira, as melhores coisas da vida estão offline. Não discordo (tanto), mas o online também tem sido muito incrível. Se o online fosse uma pessoa eu  convidaria ela para sair.  Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde. Discordo. A minha grama é sempre linda. Até quando ela não tá bem regada, ela é linda. Volto a me achar presunçosa. As pessoas têm problemas com relacionamentos. Com dinheiro. Com amigos. Com profissão. Eu também tenho alguns desses problemas. Eles me tiram o sono as vezes. Mas eu gosto mesmo é do relacionamento, do dinheiro, da profissão, dos amigos que não são problemas. Eles são sempre maiores. Se um amigo me machuca, eu me lembro da Marina, da Maíra, do Wellington. Eles são demais para eu não acreditar mais em amizade. Se minha conta tá no vermelho. Eu me lembro das cervejas tomadas. Das viagens feitas. Do pagamento dali uma semana. E por aí vai. Eu não sei se aprendi sozinha ou se aprendi observando alguém,mas eu sou boa em olhar o copo meio cheio. Suspiro mais do que choro. Agradeço mais do que reclamo. As vezes é automático, mas tem manhãs como a de hoje que a gratidão tá bombando. Porque ser grata atrai coisas boas. Ser grata me trouxe o Bruno, a Maria, o Leo, o João, a Telma, a Olivia, a Edi e tantos outros. Agradecer é um exercício muito mais prazeroso do que reclamar. A vida é um presente. O melhor de todos. E em manhãs como a de hoje, ela é melhor ainda ❤