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Ser presente!

Eu escrevi esse texto mentalmente há quinze dias. Tenhos essas manias de escrever textos maravilhosos na minha cabeça quando estou quase pegando no sono, ou correndo atrasada para algum compromisso. Eles são sempre os melhores, mas aí depois esqueço e nunca vai pro papel ( ou pro wordpress no caso), mas enfim.

Eu acho que devo ter nascido uma criança doce. Não sei porque, mas acho que crianças são doces e gentis. Não sei em qual momento da história eu me tornei uma adulta doce, mas fechada. É galera, eu sou fechada. Sou falante, mas sou discreta em relação ao que passa com meus sentimentos. Há quem diga que eu não sei demonstrar sentimentos ( helloo Amandiinha), e elas estão certas. Quer me constranger, basta me abraçar apertado e ser fofo. Não sei como reagir. Não sou fofa nem no meu casamento e se você me ver fofa é porque eu estou bêbada. Se eu gosto disso? Nem um pouco. Queria chegar em você e falar: “oi, tudo bem? que saudade, eu te amo”, de forma natural. Mas puxa, isso é muito difícil.

Descobri que eu foco a minha fofurice de outras formas. Sou disponível por exemplo. Você pode me ligar de madrugada que eu saio de pijama e pantufa ( que eu não tenho, mas vou comprar só pra esperar você me ligar) pra te acodir, aonde for. Essa é a minha forma de ser fofa com você. E sinceramente falando, é a forma como eu gostaria que as pessoas fossem fofas comigo. Prefiro mais do que um discurso bonito com pouca prática.

E porque eu tava pensando nisso? Porque a minha prima morreu. E morreu do nada. E eu não me lembro de ter sido fofa com ela nos ultimos 10 anos. Nem fofa de falar eu te amo e nem fofa de estar disponível. Porque? Porque eu, assim como quase toda a existência desse mundo estava muito ocupada vivendo a minha vida e viver a minha vida, significa esquecer dos outros. Faz sentido? Não. Mas é assim que a gente faz.

Eu tenho 24 horas no meu dia. Durmo de 06 a 08 horas e trabalho de 8 a 10 horas por dia. Nas outras seis horas diárias que eu perco no facebook, vendo séries no netflix ou enrolando na cama, eu não posso passar a mão na p** do meu telefone e mandar uma mensagem pra quem eu amo. E eu amo, antes mesmo de lembrar que eu existia, sabe porque? Porque ela me pegou no colo. E me ensinou boa parte das minhas lições de vida quando criança. Porque ela aguentava uma pirralha no pé dela, quando ela era adolescente. E me ensinou a entortar a boca fazendo careta (aprendizado de levar pra vida. Faço ate hoje quando não gosto de alguma coisa haha). E eu não tive tempo por que estava muito ocupada fazendo vários nadas na vida. Porque eu achei que esse dia fosse demorar: até parece que tragédias acontecem com 1) gente nova; 2) gente nova da minha família.

Naquela segunda-feira há 15 dias eu me senti uma farsa e uma hipócrita. Porque eu sempre faço um discurso lindo de como meus amigos são importantes e como é importante demonstrar e como a gente tem que aproveitar a vida por inteiro porque de repente PAH, somos surpreendidos e lá estava eu, pegando o avião desesperadamente por que não segui o meu conselho mais básico da vida. E de repente, uns dias depois eu estava lá, sentada no cemitério chorando pedindo perdão por ter sido relapsa.

Mas há um outro conselho que eu costumo repetir incansavelmente é que até das coisas ruins a gente deve tirar lições e enquanto eu pegava no sono escrevendo esse texto mental, eu pensava que a chance de ser fofa com ela tinha sido arrancada das minhas mãos, mas que há outras chances flutuando por aí e que eu ainda tenho tempo de aproveitá-las e não sentir o gosto amargo do arrependimento. Um gosto tão ruim que não tenho vontade de repetir.

E é isso. A gente pode crescer no amor, mas gosta mesmo é de crescer na dor.

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